Combativo e centralizado: D’Ale é ajustado em nova função por Odair no Inter

Odair Hellmann deixa cristalinos desde os primeiros trabalhos táticos de pré-temporada o conceito e o modelo de jogo que espera atribuir ao seu Inter para 2018. O treinador estipulou logo de cara o 4-2-3-1 como esquema de atuação à equipe titular – repassado também aos reservas – com predileção de dar vazão às jogadas pelo chão e pressionar com intensidade a saída de bola adversária. E a amostra inicial apresentada pelo treinador tem D’Alessandro em um posicionamento distinto dentro de campo.

Até o momento, o técnico comandou treinamentos com bola em cinco dos oito dias de preparação do Colorado neste início de ano. Em todas as atividades em que o time titular foi desenhado pelo comandante, o gringo apareceu centralizado na trinca de meias, numa posição e com encargos táticos diferentes, com orientações para pressionar o sistema defensivo rival, em uma comparação com sua função ao longo de boa parte de 2017.

Sob o comando de Guto Ferreira no ano passado, D’Ale atuava como um dos meias do 4-1-4-1, deslocado para o lado esquerdo do campo. E exercia uma função de marcação diferente da que é pedida por Odair, como o próprio já fez questão de explicar em uma entrevista coletiva no final de 2017. Em uma autoanálise, o gringo admitiu que, pela idade avançada, não tinha tanta intensidade para marcar “com força” o primeiro volante das equipes rivais. Assim, voltava para auxiliar o sistema defensivo na recomposição, para fechar uma das linhas em frente à área.

– Fico feliz de ajudar o grupo em uma posição diferente. Sabia que na minha carreira, eu teria que recuar. Não estou com a mesma força para chegar à área. Para marcar o volante mais atrasado. Jogo mais por trás, fazendo o “relevo” (a recomposição) com o lateral, com o volante pela direita. Eu gosto. Até aí, eu chego. Mais para trás, de zagueiro e goleiro, não dá. Lateral, menos ainda – disse o argentino à época.

Com Odair, D’Ale chega a atuar ao lado de Leandro Damião, sem a bola, ao exercer a marcação sob pressão tão cobrada pelo treinador. No sistema arquitetado neste início de ano, os dois extremas, William Pottker e Camilo (atualmente substituído por Patrick) recuam para formar uma das linhas ao lado dos volantes Rodrigo Dourado e Edenílson.

O camisa 10, por sua vez, avança para pressionar os zagueiros rivais e tentar roubar a bola mais próximo à área rival. Nos trabalhos ofensivos, o gringo, por vezes, recua para dar início às jogadas e abrir espaço para avanços dos rivais. A bola invariavelmente passa por seus pés para ser distribuídas ora para o centroavante, ora para os jogadores de lado de campo.

– O Odair teve esse benefício de começar em etapa avançada. A gente teve essa vantagem de começar com trabalhos avançados e espera evoluir. Fizemos três bons jogos com ele (em 2017) e estamos trabalhando diariamente. A equipe vai gostar de fazer isso com Danilo Fernandes, ataque posicionado, com transição rápida. Um sistema defensivo consolidado. A gente procura ter equipe equilibrada, em organizada para correr pouco e, com a bola, valorizar o toque de bola. Sem muitas ligações diretas nesse primeiro momento – analisa Uendel.

Odair amplia leque de opções ao gringo

Com o novo esquema já bem nítido na cabeça, Odair trata de “replicá-lo” à formação reserva e ao terceiro time, para ter todo o elenco adaptado à maneira de jogar e a seus conceitos de jogo. E para ter mais opções para substituir a figura central de sua equipe titular, claro, o capitão D’Alessandro.

Até o momento, o treinador já testou dois atletas centralizados na trinca de meias em sua “segunda” equipe, até como uma novidade. Nico López iniciou o período de treinamentos atuando centralizado, imediatamente atrás de Roger, com Marcinho pela direita e Patrick pela esquerda. Executou exatamente a mesma função de D’Ale.

No treino desta terça-feira, porém, o uruguaio apareceu aberto pela direita, onde foi mais frequente ao longo da última temporada. Quem figurou centralizado foi Juan, último na linhagem de meias do elenco colorado. Vale ressaltar que a formação reserva foi modificada devido à “promoção” de Patrick na vaga de Camilo, lesionado.

Odair ainda não pôde lançar mão de sua alternativa mais provável para substituir D’Alessandro nos momentos de necessidade da temporada: Wellington Silva. Último reforço anunciado pelo Inter para 2018, o atacante segue em trabalhos à parte, sob o comando do coordenador de preparação física Elio Carravetta. Com seu ingresso na equipe, aberto por um dos lados do campo, Camilo pode ser deslocado para atuar centralizado.

Fonte: globo.com