Piffero se vê perseguido por rebaixamento e não pretende voltar ao futebol do Inter

Ex-presidente do Inter, Vitorio Piffero vive dias de inferno astral em decorrência da gestão 2015/16. Ao mesmo tempo em que sofre com a marca do rebaixamento, se vê em meio a uma bateria de acusações sobre supostas irregularidades nas contas de sua gestão. Na tarde de quarta-feira, o ex-dirigente de 64 anos resolveu quebrar o silêncio de meses para se defender. Mas também partir para o ataque.

Em entrevista para veículos do Grupo RBS, o ex-dirigente se mostrou “chateado” com o tratamento recebido atualmente pelo clube, no qual se vê perseguido politicamente. Tanto que não pretende mais voltar a transitar no futebol do Inter.

“Fico muito chateado porque acabei rebaixando o clube. Fui o presidente que participei das maiores conquistas e da maior derrota. Estou sendo penalizado pelo rebaixamento, essa é minha avaliação” (Vitorio Piffero)

Piffero discorreu sobre o relatório da consultoria Ernst & Young, documento que detectou “inconsistência” de R$ 9 milhões em contratos com empresas do ramo de construção civil, entre outras supostas incosistências. Questionado por jornalistas, puxou documentos de uma pasta de couro marrom e os apresentou como defesa, com os quais acredita comprovar sua idoneidade.

– Nosso estatuto diz “garantida ampla defesa”. Mas antes de me entregar isso aqui (relatório), fui execrado de agosto até 18 de dezembro. Isso é justiça? O que digo. O tipo de gestão que encaminhou a desaprovação das minhas contas é a mesma feita no clube há 15 anos. Vai valer só para mim? Tem que investigar os últimos 15 anos – se defende.

O dirigente ainda garantiu ainda ter a “consciência tranquila” em relação às finanças deixadas para a atual gestão. E diz que deixou os cofres em situação melhor do que quando assumiu o comando do clube em 2015.

Como comparativo, cita que a gestão Giovanni Luigi deixou como “herança” R$ 80 milhões de dívidas a serem pagas e que, mesmo assim, teve as finanças aprovadas. Lembrou as contas deixadas pelas contratações de nomes de peso, como Diego Forlán e Ignacio Scocco.

– Do ponto de vista administrativo, a direção foi igual a todas as outras. Foi desaprovada, mas ela foi igual a todas as outras. Quer pegar desde o início, pega, era mais esculhambado. Os argumentos são os mesmos ou iguais aos outros anos – conta. – A não ser o resultado de campo, não tenho a menor dúvida. Eu comprovo. O que paguei de conta da gestão anterior… Eu paguei entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões ao longo dos dois anos – afirmou.

Em outubro passado, o Conselho Deliberativo do Inter aprovou o relatório de uma comissão especial que apontou indícios de irregularidades nas contas do clube e instaurou uma investigação. Os documentos também foram encaminhados ao Ministério Público (MP), que pode analisar o caso. Piffero ressaltou que até o momento não foi chamado para prestar esclarecimentos no MP:

– Nunca fui chamado (pelo MP). Quando for chamado, vou lá. Tenho muito mais coisa para contar, mas vou esperar ser chamado.

Confira abaixo outros trechos da entrevista:

Déficit da gestão
“É sempre circunscrito ao ano, o que a gestão faz de 1º (de janeiro) a 31 de dezembro. A Ernst & Young olhou a minha gestão em 2015/2016, em cima de dois anos, para que tivesse uma nova e melhor gestão em 2017, um novo clube surgindo alicerçado em documentos na experiência de uma grande empresa. É interessante ressaltar que não aparece nesse relatório os mais de R$ 80 milhões de causas trabalhistas com origem na gestão Giovanni Luigi, cujo vice de futebol era o nosso atual presidente. Forlán, R$ 10 milhões. O presidente foi ao Uruguai porque iria começar o bloqueio bancário. Scocco, R$ 8 milhões. Orlando da Hora, R$ 3 milhões. André Cury, nas transações do Dagoberto, R$ 7 milhões. São R$ 30 milhões em quatro ações que começaram na gestão anterior à minha”.

Acusações
“Tenho vivido esse desconforto, não tenho nada para esconder. Estou aqui. Tenho nome, endereço, CPF, estou aqui. Quero ver quem tem culhão para vir aqui com nome, seu endereço e apresentar qualquer coisa contra mim”.

Momento pessoal
“Ando profundamente chateado da maneira como o meu clube está me tratando. Julgamentos, na minha avaliação, em uma bobagem muito grande. Me causa um desaforo muito grande”.

Futuro no Inter?
“Não vou ao Inter, não vou. Não (penso em voltar). Acho que não se faz o que fizeram. Vou até o fundo nessa questão (para se defender) e também contra detratores na imprensa”.

Contratação de Anderson
“O presidente que disser que não errou está mentindo. O Anderson tinha um passado futebolístico maravilhoso. Sete anos de Champions League, um currículo fantástico, 26 anos. Eu resolvi apostar nele. Ele não conseguiu recuperar o bom futebol”.

Motivos do rebaixamento
“Não é um fator, mas uma conjuntura. Aquele time que caiu liderou o Brasileiro. A partir daí, desandou. Tentamos fazer de tudo e não conseguimos mudar. Isso resulta nessa questão do rebaixamento. Voltamos à elite do futebol. Espero que as coisas melhorem”.

Fonte: globo.com